Campus Sorocaba: mudança do Maylasky tem novo protesto

24/06/2017 15:56

Por Daniela Jacinto em Cruzeiro do Sul

Portando faixas, cartazes, apitos e cornetas, cerca de 100 pessoas, entre familiares e alunos da Escola Municipal Matheus Maylasky realizaram ontem, das 17h às 19h, um novo protesto contra a mudança do prédio escolar. A Prefeitura está em tratativas com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), câmpus Sorocaba, que solicitou um local para se instalar e foi oferecido o espaço onde está incluído o Maylasky. A Prefeitura informou ontem que existe a possibilidade dos alunos continuarem no prédio, desde que o IFSP apresente proposta de uso compartilhado.
 
A manifestação ocorreu na Praça da Bandeira e contou com depoimentos de diversas pessoas, que fizeram apelo ao prefeito José Crespo (DEM) para que ouça a comunidade e preserve a tradição dessa unidade de ensino.
 
Desde que a Prefeitura acenou com a possibilidade de ceder o prédio da escola para uso do IFSP, os pais já realizaram diversas manifestações e participaram de uma audiência pública na Câmara de Vereadores para discutir o tema.
 
A professora Priscila Roberta de Lima conta que é filha de ferroviário, foi aluna da escola e agora quem estuda lá é seu filho Thauan, de 11 anos. "Não entendi o motivo de tirar 900 alunos de um prédio, tendo na cidade tantos outros espaços para disponibilizar ao IFSP."
 
Priscila faz parte da comissão de pais que tem se organizado para conseguir que a Prefeitura os ouça. "A gente vive numa democracia, mas não pudemos participar de nenhuma reunião entre a Prefeitura e o IFSP. No entanto, é isso que a gente gostaria", afirma ela.
 
Outra mãe que participou do protesto é Leila Rejane de Castro, que trabalha na área de instalações. Ela conta que o filho Lucca, de 9 anos, e a sobrinha Raíssa, de 11 anos, estudam no local. "Não se fecha escola, precisa inaugurar mais", disse, indignada. "Prefeito Crespo, olhe por nós, é o povo que está pedindo", acrescentou.
 
O administrador Bruno França, pai dos gêmeos Gustavo e Mateus, 9 anos, e de Daniel, 7 anos, lembra de toda a trajetória da escola. "Meu avô e minha avó eram ferroviários, eu estudei nessa escola e agora são meus filhos, a gente viu tudo o que foi feito pela escola, que sempre foi referência de ensino na cidade", disse.
 
Entre todas as pessoas que estavam na manifestação, estava um dos primeiros alunos do Maylasky: José de Campos Lima, hoje professor de arte. "Se o povo não quer, acho que a voz do povo é a voz de Deus", afirma ele, para quem essa possibilidade de tirar os alunos do prédio é lamentável. "Isso não tem razão de ser".
 
Questionada, a Prefeitura de Sorocaba afirma que entende como legítimas todas as manifestações referentes à escola e que "terá uma reunião em breve com a direção do IFSP para chegar a uma solução que atenda às expectativas de todos -- os alunos do Maylasky e a comunidade sorocabana."
 
A Prefeitura também informou que está aguardando proposta do IFSP sobre o uso compartilhado do prédio, que deve ser apresentada ao prefeito em reunião agendada para o dia 29 de junho e poderá ser validada. 

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